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Inovação na Tradição

Enviado: quinta out 22, 2009 8:42 pm
por Espetaferros
Depois de uma discussão acalorada que mantive, noutro espaço deste fórum, acerca da empresa que mais inovava nos seus carteis, gostaria de saber a opinião dos participantes do fórum, sobre o que consideram ser inovação nas corridas (carteis, preços, publicidade, formato das corridas etc.) e gostaria de ouvir algumas ideias, que eventualmente tenham, de inovações.
Só assim, com novas ideias, a tauromaquia no nosso país pode evoluir e perdurar. Quanto a mim, já o disse, Pegado é quem mais evolui, no entanto, não quero centrar a discussão em empresários mas sim em ideias.
Gostaria de ouvir opiniões sobre aquele que considero ser, provavelmente, o tema mais importante para a saúde desta nossa tradição.

Re: Inovação na Tradição

Enviado: quinta out 22, 2009 11:16 pm
por Patrícia
Hoje, na conferência de imprensa no Campo Pequeno falou-se nos "tempos mortos", que podem exceder os 30min. Nesse sentido a Empresa, vai explorar as ideias de, nas Corridas de Gala à Antiga Portuguesa deixar de se fazer a tradicional cortesia, sendo que o tradicional festejo com os coches pode substituí-las perfeitamente; bem como a entrega do primeiro ferro comprido a cada início de lide também poderá ser abolida.
Na plateia ainda sugeriram cortar no tempo de cumprimentos no início de cada lide entre cavaleiros.

Parece-me a mim que estas atitudes poderão vir a ser inovadoras no sentido em que a maioria das pessoas chega ao final da corrida saturadas com o excessivo tempo que estão sentadas (muitas vezes excedendo as 3h).
Aliar isso a preços baixos, atrai muitas pessoas, levando-as a voltar.

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sexta out 23, 2009 8:51 am
por DCP
Acabar com os tempos mortos e baixar o preço dos bilhetes é importante e concordo que se inove nesse sentido.
Mas parece-me ainda mais importante inovar ao nível dos cartéis, que são sempre mais do mesmo, passando a ser lidados toiros bem apresentados, com peso e trapio, de ganadarias chamadas "duras", pelas principais figuras, que de uma forma geral gostam de lidar toiros Passanha ou Vinhas, para dar dois exemplos.
Gostava de ver, por exemplo, o Pablo Hermoso, o João Moura e outros com toiros Ernesto de Castro, Fernando Palha, Branco Núncio, Grave ou António Silva, bem apresentados, com peso, idade e trapio.
Referi estes toureiros e estas ganadarias como poderia ter referido outros.

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sexta out 23, 2009 11:09 am
por lusitano
Inovação? Bilhetes a preços acessíveis. Carteis com a inclusão de jovens, afixação da quantidade de bilhetes em local visível para que todos possamos ver quantos há; as dos tempos mortos nas Galas é indiferente que as pessoas já sabem que há essa seca. O que se faz é dar meia hora para essa Gala e depois entra-se para os lugares isto para quem não quer perder tempo. Tirar as Cortesias na Gala acaba por desvirtuar o que é a essência da Corrida à Portuguesa mas quem manda pode...
Falta inovar anta coisa. As bandarilhas de segurança já. Os Grupos que não as quiserem comunicam Às empresas que os contratem que tenha lá das antigas para eles e a responsabilidade passará a ser do Cabo; acabar de uma vez com os novilhos de 3 anos serem considerados toiros e entrar numa corrida de toiros:
mandar aferir as balanças das nossas praças corrida a corrida e estar selada com selo do IGAC que assistiria à aferição para que não haja toiros de pesos inferiores a pesarem mais e passarem atestados de estupidez ao pagante; acabar com a ginástica dos Forcados que ao segundo curto saltam, pulam, aquecendo músculos e se movimentam sem respeitar os Cavaleiros que estão a actuar; nem todos os Grupos o fazem mas uma grande maioria não se sabe comportar na Trincheira; acabar com as discriminação entre Praças: Campo Pequeno tem mais gente na trincheira que fotógrafos no estádio da Luz; tanta coisa...

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sexta out 23, 2009 1:05 pm
por Maestranza
Em matéria de triunfos dos cavaleiros, considero que devia haver uma uniformização de critérios em todas as praças do País, uma vez que na actualidade é a "lei da selva".
A disparidade é tanta que em Portugal a regra geral em 90% das actuações que vemos é a "volta à arena", sejam elas fracas ou deficientes. Em contrapartida, em Espanha, existe uma exigência muito maior em relação à actuação dos matadores e rejoneadores.
Ainda que (infelizmente) o touro não possa morrer na arena, deviam ser instituídos critérios de maior exigência e transparência para que um cavaleiro pudesse dar a volta à arena.
O público que vai às corridas também não ajuda muito, pois não sabe ser exigente na avaliação do cavaleiro.

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sexta out 23, 2009 7:45 pm
por JoséPaulo
Patrícia Escreveu:Hoje, na conferência de imprensa no Campo Pequeno falou-se nos "tempos mortos", que podem exceder os 30min. Nesse sentido a Empresa, vai explorar as ideias de, nas Corridas de Gala à Antiga Portuguesa deixar de se fazer a tradicional cortesia, sendo que o tradicional festejo com os coches pode substituí-las perfeitamente; bem como a entrega do primeiro ferro comprido a cada início de lide também poderá ser abolida.
Na plateia ainda sugeriram cortar no tempo de cumprimentos no início de cada lide entre cavaleiros.

Parece-me a mim que estas atitudes poderão vir a ser inovadoras no sentido em que a maioria das pessoas chega ao final da corrida saturadas com o excessivo tempo que estão sentadas (muitas vezes excedendo as 3h).
Aliar isso a preços baixos, atrai muitas pessoas, levando-as a voltar.
Penso que eles se deviam preocupar mais no estado em que está o Campo Pequeno, Pessoas mal entendidas aplaudem por tudo e por nada, a Critica taurina também tem muita culpa no cartório, a maioria percebe pouco de toureio , quando se vê crónicas onde escrevem por exemplo "O cavaleiro nada pôde fazer o touro não se adaptou as suas características" penso que está tudo dito,
Devem impor touros, sérios ,de verdade, não aqueles que as figuras querem , que são autênticas tourinhas, falta emoção e risco na maioria das corridas, Os Toureiros deviam ter bom senso em dar a volta, deviam dar quando estão bem não porque o público exige,
Os Cavaleiros deviam ter mais cuidado com a utilização das mãos , só deviam usar as duas em ultimo caso , não nos podemos esquecer que estamos a falar da Catedral Mundial do Toureio a Cavalo

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sexta out 23, 2009 9:11 pm
por Patrícia
Caro José Paulo, tem toda a razão. A verdade, e que poucas vezes vem cá para fora, as figuras do toureio impões condições excessivamente exageradas, e mostrando que por ser quem são têm o poder de o fazer. Na medida em que se cede uma vez, voltam a pedir, mais e mais. Basicamente toureiam o que querem, com quem querem. A verdade é essa. E o problema é que se não lhes fazem a vontade, eles dizem "tudo bem, para o ano re-negociamos". E acredite, ou as empresas se rendem, ou os artistas não dão o braço a torcer. Infelizmente é assim, daí tourearem exclusivamente certas ganadarias, e os outros, coitados que não têm alternativa ou que se sujeitam a tourear o que aparecer, têm sempre a mesma sorte (ou azar!).
Quanto às voltas que os toureiros dão, lá está! São poucos os que têm a humildade de recusar a volta à arena. E pior, mesmo que o público assobie e critique, eles vão. E isso, é inadmissível. Não demonstram respeito pelos colegas, pelo público, e muito menos pela Festa. Mas isso infelizmente, parte dos princípios de cada um..
Cumprimentos

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sexta out 23, 2009 11:57 pm
por master_lopez
Os meus pontos essenciais a mudar já foram todos referidos em outros posts, contudo irei citar os que mais gostava de ver mudados!

1º o mais importante figuras com toiros a serio ou então ficam por espanha!!!! leonardo hernandez esta ao nível dos melhores e aceita ganadarias duras, com o sucesso que ele teria graças ao seu grande toureio rapidamente para os outros terem oportunidades ca teriam que aceitar o que propomos.(um a parte, arriscar trazer alvaro montes, Antonio domecq, Andy Cartagena )

2º concessao das voltas com especial atenção a catedral (ou NÃO!!). um exemplo do que achava justo..... o toureiro ir ao centro da arena agradecer e a partir dai o publico com o bater de palmas ou silencio daria o seu veredicto o director seria o juiz para conceder essa primeira volta mediante a observação que a maioria do publico presente pede com insistência, autorizando essa primeira volta ficava a cargo novamente do publico a segunda volta esta só seria autorizada se o director acha-se que face a praça em que esta será mesmo caso para tal acontecer.

3º Em praças carismáticas (campo pequeno, vila franca, santarem, montijo e moita) carteis de grande nível!! isto será algo parecido ao que aconteceu em santarem a 10 de junho. Já agora curro de palha mais vezes presente por estas praças, o toiro é o elemento chave para os novos aficionados e o que se constata cada vez que levo pessoas não aficionadas é que me criticam que os toiros não se mexem e essa é a grande verdade, nem todos são assim mas a larga maioria é isso que acontece (palha, pegoras, pinto barreiros, infante, conde cabral, antonio silva, grave e teixeiras são nomes que a partida garantem mais espectáculo!)

4º a musica nas praças de primeira tem de ser dada com maior rigor!

Re: Inovação na Tradição

Enviado: sábado out 24, 2009 7:10 pm
por Espetaferros
Compreendo muitas das "propostas" aqui apresenteadas, mas penso que muitas, apesar de necessárias e pretinentes, não levariam mais gente às praças. A música tocar ou não...não leva nem tira gente (apesar de ser necessário maior critério). As bandarilhas dos focados e os "saltos ao segundo curto" considero igualmente uma questão importante e, mais que isso, uma questão de respeito. Pela integridade dos forcados e pela lide do toureiro. Mas novamente não acho que leve mais gente à praça.
A questão dos tempos mortos sim! Tenho várias pessoas na minha família que não vão a muitas corridas pela sua morosidade.
A revisão do critério na volta à praça é o primeiro ponto essencial! Uma volta à praça, quando um cavaleiro não esteve realmente bem e não há vontade de bater palmas, torna-se um verdadeiro tempo morto.
As homenagens em demasia são tambem uma "paranóia" dos nossos intervenientes da festa... em Espanha as homenagens fazem-se noutras circunstâncias. Não têm que ser nas corridas.
Quanto às corrida à Antiga Portuguesa, ao contrário do Lusitano, estou certo de que a empresa do Campo Pequeno tem toda a razão. Não faz sentido fazerem-se 2 cortesias... Se é para fazer à antiga, que se faça à antiga. Se depois se faz como na actualidade, deixa de ser um espectáculo à "Antiga". E não se trata de desvirtuar coisa nenhuma! Porque as cortesias correntes fazem-se nas "Tradicionais Corridas à Portuguesa". As corridas aqui em questão chamam-se "Corridas de Gala à Antiga Portuguesa". São, portanto, dois espectáculos distintos. Nas corridas só de matadores as cortesias também são feitas de outra forma. Sendo um espectáculo diferente, as cortesias tambem são diferentes. Sendo as corridas "à Antiga" um espectáculo diferente das "Tradicionais Corridas", a dispensa das cortesias "correntes" não é um desvirtuamento. É algo que faz toda a lógica.

Re: Inovação na Tradição

Enviado: quinta dez 24, 2009 6:31 pm
por will.tell
Na minha humilde opinião, que de toiros sei muito pouco, penso que as cortesias são demasiado extensas. Falo das cortesias "modernas" dos cavaleiros. Aqueles cumprimentos à vez a 1/4 de praça demoram uma eternidade... Nas corridas apeadas, entra-se, cumprimenta-se e avança-se...Não é necessário tanta volta à praça..

Em Portugal não se cortam orelhas e o seu substituto na relação a troféus são as voltas a arena certo?
Então porque razão em 90% das lides se "corta uma orelha"? Porque razão já não há broncas em Portugal? Nem sequer silêncios, quanto mais broncas.
Mais seriedade sff. As voltas deveriam ser realmente autorizadas pelo director da corrida.

Aplaudo a decisão do Campo Pequeno em apenas abrir a porta grande se numa corrida normal o Cavaleiro/Matador der 3 voltas!

O meu maior conselho, até porque a mim me fez muita falta, porque nem todos temos um pai ou avô que nos leve aos toiros quando miúdos e nos ensine as coisas, seria no cartel que distribuem virem algumas explicações. Até se poderia fazer em formato "colecção" ao longo da temporada. Não estou a dizer que se ensinem todas as pelagens e cornameta do toiros mas uma explicação correcta de como devem ser executadas as sortes, tempos de lide, etc. Seria importante, nada difícil de implementar e com uma grande importância para a formação e educação da nova aficion.

Se alguém tiver o contacto (e-mail) profissional do sr. Rui Bento Vasquez, agradecia, uma vez que gostava muito de lhe propor esta ideia.

Cumprimentos a todos!

Re: Inovação na Tradição

Enviado: quarta abr 10, 2019 1:27 pm
por Aficionado Tuga
O problema da inovação nas touradas é que muitos não querem que sejam feitas mudanças. Até porque algumas das cortesias fazem parte da tradição tauromáquica há anos.

Re: Inovação na Tradição

Enviado: quinta jul 18, 2019 7:17 pm
por Gonçalo Pinto
Se são ou conhecem pessoas do sexo masculino, entre os 20 e os 30 anos, agradeço que respondam ou partilhem esta investigação sobre Identidade Política.

https://ulfp.qualtrics.com/jfe/form/SV_86LB4fO8l9Fn1Ix

Com os melhores cumprimentos,
Gonçalo Pinto

Re: Inovação na Tradição

Enviado: domingo set 08, 2019 11:23 pm
por ribeirocouto
Espetaferros Escreveu:
sábado out 24, 2009 7:10 pm
(...)Porque as cortesias correntes fazem-se nas "Tradicionais Corridas à Portuguesa". As corridas aqui em questão chamam-se "Corridas de Gala à Antiga Portuguesa". (...)
Será que alguém me podia dizer a diferença entre estas duas corridas?

Em relação aos tempos morosos, eu ontem assisti pela primeira vez da minha vida a uma tourada (estou bem arrependido de não o ter feito antes), ou seja sou um leigo no assunto. Eu não me cansei propriamente pelas demoras, talvez por ser tudo novidade, só fiquei um pouco aborrecido pelo primeiro touro ser muito mole, e isto fez demorar as coisas. A parte onde o cavaleiro/toureiro e o cabo (forcado principal?) dão a volta à arena para cumprimentarem o público (cortesia?) pode demorar alguma coisa mas acho que passa rápido, assim como as homenagens, é rápido. Acho que estes pormenores que acabam por fazer parte de toda a complexidade do espetáculo não são culpados de alguma demora.
Ontem a tourada demorou 3 horas e eu fiquei completamente abismado pois pensei que tivesse passado no máximo 1 hora!