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Os Hor√°rios s√£o TMG




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MensagemEnviado: s√°bado out 03, 2009 12:50 pm 
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Ganadero
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O Mirante - Edição de 13-08-2009
http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=404&id=56582&idSeccao=6153&Action=noticia

O Mirante - Edição de 13-08-2009 Escreveu:
Carlos Empis j√° fez de tudo um pouco no mundo da tauromaquia
‚ÄúAs pessoas n√£o t√™m paci√™ncia para corridas de toiros que demoram tr√™s horas‚ÄĚ


Foi forcado e cabo dos Amadores de Santar√©m. Foi bandarilheiro, cavaleiro praticante, apoderado de v√°rios toureiros como Jo√£o Moura, e at√© exerceu fun√ß√Ķes de director de corrida. Carlos Empis d√° agora mais tempo √† agricultura que √© a outra sua paix√£o, mas continua a viver a tourada com emo√ß√£o. Tem cora√ß√£o ribatejano. Vive em Santar√©m e tem ra√≠zes na Chamusca e em Valada.

O seu av√ī foi um dos principais impulsionadores da constru√ß√£o da pra√ßa de Toiros da Chamusca. N√£o tem pena que este e os outros recintos taurom√°quicos n√£o tenham a rentabiliza√ß√£o que deviam ter?

Tenho imensa pena que n√£o se realizem l√° mais espect√°culos mas j√° fui empres√°rio taurom√°quico e sei que nem sempre √© f√°cil ter muitas corridas numa pra√ßa, por falta de p√ļblico. E o problema n√£o √© s√≥ da tauromaquia. As pessoas t√™m hoje em dia muitos atractivos, muitas ofertas e muitas perto umas das outras.

O regulamento das corridas de toiros não está já desfasado da realidade, ao continuar a permitir determinados cerimoniais que prolongam os espectáculos por vezes por mais de três horas?

As pessoas j√° n√£o t√™m paci√™ncia nem condi√ß√Ķes de comodidade para um espect√°culo com uma dura√ß√£o t√£o grande. Sou um grande lutador para que se acabem com os tempos mortos nas corridas de toiros. O tempo ideal deveria de ser, no m√°ximo, duas horas.

O que é preciso mudar?

Desde as cortesias a uma s√©rie de cerim√≥nias. Como aquela em que o bandarilheiro leva a farpa para o toureiro come√ßar a lide. Depois h√° as voltas √† arena. Todos os toureiros d√£o a volta √† arena no final da lide estejam bem ou mal. √Č uma perda de tempo.

Ent√£o porque √© que n√£o se mudam estas situa√ß√Ķes?

Por inoper√Ęncia de todos os agentes do sector. Um toureiro que n√£o esteve bem na lide n√£o deve dar a volta, mas quem √© que lhe vai dizer isso? N√£o h√° nenhum espect√°culo que demore tanto tempo e que tenha tantos tempos mortos. H√° que impor limites.

√Č uma quest√£o de vaidade dos toureiros?

Considera-se que quem não dá a volta à arena esteve mal e ninguém quer ficar com essa imagem.

Já foi forcado, empresário, apoderado, cavaleiro… em que área é que se sentia mais confortável?

Todas as fun√ß√Ķes que tive foram emocionantes. Se calhar a menos exigente ter√° sido a de bandarilheiro porque estamos ali para ajudar o cabe√ßa de cartaz que √© o cavaleiro e n√£o devemos dar nas vistas.

Enfrentar um toiro a pé como forcado ou em cima de um cavalo é diferente?

A no√ß√£o da responsabilidade tamb√©m √© diferente. Quando somos novos e temos pouca no√ß√£o da realidade √© tudo mais f√°cil. N√£o temos a no√ß√£o da responsabilidade para com o p√ļblico e para com o toiro.

O que é que melhor recorda do tempo em que foi forcado?

A amizade que foi construída e que tem durado até aos dias de hoje. Posso dizer que os meus grandes amigos foram forcados comigo.

Essa camaradagem continua a existir actualmente?

Tenho um filho que foi forcado e pelo que percebi o esp√≠rito era o mesmo. O que houve foi um alargamento do n√ļmero de grupos de forcados. E isso criou mais concorr√™ncia entre grupos, mas penso que no essencial o esp√≠rito do forcado se mant√©m. √Č imposs√≠vel enfrentar um touro sem uni√£o, cumplicidade e grande amizade entre todos.

Mas as pessoas s√£o diferentes umas das outras e nem sempre convivem no seu dia-a-dia.

Numa fam√≠lia podem dar-se todos bem o que n√£o quer dizer que n√£o existam diverg√™ncias entre os seus membros. Nos forcados a situa√ß√£o √© igual. N√£o podemos ser hip√≥critas ao ponto de dizer que n√£o h√° diverg√™ncias, que n√£o h√° mi√ļdos a portarem-se mal, mas isso toda a vida houve.

Os pais dos forcados têm alguma influência?

H√° uma express√£o popular que diz que ‚Äúpior que p√© de atleta √© pai de atleta‚ÄĚ, neste caso pai de toureiro. N√≥s vemos sempre os nossos filhos como os melhores e √†s vezes n√£o √© assim, o que √© normal. √Äs vezes os pais s√£o capazes de dizer e fazer coisas que n√£o s√£o racionais. E essas situa√ß√Ķes podem estragar o esp√≠rito de grupo.

Ficou conhecido pelas pegas de cernelha que hoje caíram em desuso e são desvalorizadas.

Para mim √© uma pega igual √† de caras em termos de valor. H√° uma coisa nos forcados de cernelha que √© tramada. Enquanto na pega de caras o toiro vem direito ao forcado e ele j√° n√£o pode fugir, o de cernelha tem que ter a iniciativa de ir ao encontro do toiro e quando n√£o estamos bem psicologicamente parece que o toiro tem um repelente e o p√ļblico nota isso com facilidade.

Um forcado de cernelha tem que ter mais coragem?

Não é uma questão de coragem. Não há ninguém que não tenha medo.

Porque √© que agora s√≥ s√£o feitas cernelhas como √ļltimo recurso?

Penso que ter√° sido por causa do tempo que demorava.

Como espectador gosta mais de ver uma pega de caras ou de cernelha?

Gosto de ver uma boa pega.

O p√ļblico vai √†s corridas para ver uma pega boa ou para ver o forcado levar porrada?

H√° uma coisa que n√£o percebo no p√ļblico das corridas hoje em dia. Quando um toureiro faz uma boa actua√ß√£o tem as palmas, quando est√° mal recebe assobios. Com os forcados isso n√£o acontece. O forcado esteve mal mas como faz mais uma tentativa tem direito a palmas. Antigamente n√£o era assim.

√Č para dar alento?

Acho que se generalizaram os aplausos. Banalizou o bater palmas. √Č por tudo e por nada. H√° pouco tempo fui a uma corrida em que at√© os funcion√°rios que entravam para alisar a arena levavam palmas.

Foi cavaleiro praticante, porque é que não chegou a profissional?

Porque tinha a noção que não iria muito longe como cavaleiro. Tinha jeito mas não era para ser primeira figura e preferia ser bom numa coisa que mais um em outra.

Defende a tauromaquia mais t√©cnica, para elites, ou uma tauromaquia mais para o espect√°culo, para a divers√£o do p√ļblico que n√£o percebe os termos da festa?

A minha experi√™ncia diz-me que tudo o que √© bom √© sentido pelo p√ļblico. Mas acho que faz falta mais festa nas corridas at√© porque a maioria das pessoas vai para se divertir, para uma festa, e essa componente √© essencial. Quando fui apoderado sempre incuti essa necessidade nos toureiros que representava. E se essa parte do espect√°culo for com verdade √© o ideal.

Mas isso às vezes não acontece, é mais espectáculo apalhaçado que espectáculo festa…

Exactamente. E n√£o √© pela palha√ßada que pugno. E n√£o tenho d√ļvida que a qualidade vem sempre ao de cima.

Enquanto foi apoderado sentiu dificuldades em impor os seus toureiros?

√Č um mundo igual ao mundo comercial. Os interesses s√£o muitos e alguns n√£o est√£o √† vista. Quando algu√©m contrata um toureiro e n√£o outro est√° a tirar rendimentos a um deles.

Porque √© que t√™m aparecido mais toureiros agora? √Č chique ser toureiro?

Sempre foi (risos). Sempre houve uma certa m√≠stica. √Č uma actividade que d√° visibilidade.

H√° quem veja os toureiros como pessoas falidas mas que gostam de ostentar e de ter nome.

N√£o vejo isso nessa perspectiva.

O que é que os toiros lhe ensinaram?

Os toiros ensinaram-me a vencer o medo. A ter medo e a venc√™-lo. A descontrair perante o nervosismo. Fizeram-me ter a no√ß√£o da prud√™ncia e das dist√Ęncias. Ensinaram-me a cair e sobretudo a levantar-me firme na determina√ß√£o. Ensinaram-me a ter a no√ß√£o da mod√©stia; das minhas for√ßas e dos meus conhecimentos. Ensinaram-me a ter paix√£o de correr riscos e a saber auto-dominar-me. Os toiros ensinaram-me a ter cora√ß√£o.

Faz falta mais festa nas corridas até porque a maioria das pessoas vai para se divertir, para uma festa, e essa componente é essencial.

Faltou quem prosseguisse com a Feira do Toiro

Esteve envolvido na organização da feira do toiro em Santarém, como é que conseguiram que fosse um sucesso?

Não ganhámos um tostão com a organização da feira. Foi simples carolice. Nunca deu prejuízo. Ir pedir a alguém para actuar na feira do toiro de borla e os organizadores estarem a ganhar com isso não era justo. Não havendo a finalidade do lucro era mais fácil ir pedir.

E porque é que deixou a organização e a feira acabou?

Nós propusemo-nos a organizar uma feira e fizemos três. Tínhamos a nossa vida particular e perdíamos dias e meses da nossa vida pessoal, de lazer, e tínhamos prejuízos. Acabou o nosso prazo e agora que venham outros.

Mas parece que não há outros…

Tivemos a ideia. Abrimos a porta. Agora √© mais f√°cil seguir o modelo. A c√Ęmara municipal tinha interesse em continuar e o CNEMA tamb√©m, mas faltou algu√©m para dar continuidade ao projecto.

A c√Ęmara e o CNEMA tinham grandes responsabilidades na continuidade da feira.

Na altura foi ponto assente que não entrava política na organização, se não puséssemos a política de parte matávamos logo de início a feira com politiquices.

Dedica-se à agricultura, é mais fácil que a tauromaquia?

A agricultura é uma área emocionante que nos ensina muito por ser imprevisível. Ensina-nos a enfrentar as dificuldades da vida.

Há uma ideia generalizada que os agricultores são subsídio-dependentes.

Mas os agricultores t√™m miss√Ķes importantes como zelar pelo meio ambiente e pela produ√ß√£o. Somos uns zeladores que recebemos indemniza√ß√Ķes compensat√≥rias, n√£o s√£o subs√≠dios e para isso temos que cumprir obriga√ß√Ķes. Somos pagos para n√£o haver desertifica√ß√£o do mundo rural.

Está solidário com a CAP nas críticas que faz ao ministro da Agricultura?

Com algumas estou mais, com outras menos.

A direcção da CAP que também é a do CNEMA fez bem em não convidar o ministro para a Feira Nacional de Agricultura?

O ministro também tem sido tudo menos ministro dos agricultores. Por isso não faz falta nenhuma. Nunca tivemos um ministro da Agricultura tão mau.

Já andou no mundo da política?

Nessa área já fiz a minha parte. Fui secretário da Junta de Freguesia de Abrã (Santarém) como independente eleito pelo PSD.

Rev√™-se na gest√£o do actual presidente da C√Ęmara de Santar√©m?

Há coisas com as quais não concordo. Mas pelo menos criou polémica e tem projectado a cidade no país. Se tudo é bom, a história é que o vai dizer.

Vivemos em democracia e há direito à crítica

Tem aumentado a contestação às touradas.

H√° dias numa corrida no Campo Pequeno estavam uns 15 mi√ļdos a fazerem uma manifesta√ß√£o acompanhados por v√°rios pol√≠cias, que nem precisavam l√° estar porque ningu√©m lhes fazia mal.

Est√° a tentar desvalorizar as manifesta√ß√Ķes anti-tourada?

As pessoas têm direito a manifestarem-se. Desde que se manifestem civilizadamente não vejo nenhum mal. Vivemos em democracia, graças a Deus, e cada um tem direito a manifestar a sua opinião desde que não ofenda.

Uma corrida é um espectáculo caro.

Um bilhete para ir ver o futebol também não é barato. E veja-se que em Espanha esta actividade tem um peso grande na economia e em França há mais espectáculos tauromáquicos que em Portugal.

Então as nossas praças estão subexploradas, subaproveitadas?

As pra√ßas devem ser aproveitadas para outras actividades. O ideal era haver mais corridas, n√£o sei √© se o p√ļblico aguenta.

O p√ļblico de Vila Franca de Xira √© o mais complicado do pa√≠s

Qual é a razão para que uma praça como a de Vila Franca de Xira, considerada como uma das capitais taurinas, raramente encha?

Vila Franca tem um p√ļblico muito estranho. Talvez o mais complicado que existe no pa√≠s.

Complicado em que aspecto?

O concelho passou a ser um dormitório e deixou de ter uma identidade muito própria como tinha antigamente. Essa modificação teve reflexos na praça de toiros. Antigamente a praça tinha muito mais ligação à população e vice-versa.

Mas parece que h√° muitos aficionados na cidade.

Não há uma ligação efectiva entre a tauromaquia e a população, mas as pessoas dizem que são aficionadas e que são taurinas apenas porque moram em Vila Franca de Xira.

As festas do Colete Encarnado têm sempre muita gente. Quer dizer que estes não são aficionados?

Trata-se de uma actividade completamente diferente das corridas de toiros. Há um tempo deram lá um espectáculo tauromáquico à porta aberta e não tinha muita gente. As pessoas que se dizem aficionadas afinal não o são.

Podem haver actividades à volta da tauromaquia que podem ser aproveitadas empresarialmente?

Os franceses são especialistas nessa matéria. Isso não me parece que esteja nas mãos do empresário tauromáquico mas mais no criador de toiros. Pode haver uma actividade turística ligada ao toiro.

Porque é que esse potencial não tem sido devidamente aproveitado?

Se calhar se fosse uma actividade muito lucrativa n√£o acredito que n√£o houvesse mais pessoas a explor√°-la.

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"N√£o h√° grandeza onde n√£o h√° verdade"


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